LicenciamentoAtualizado em outubro de 2026Licenciamento

Licença de utilização em Portugal: ainda é necessária?

Por Kellogg Fairbank · Cofundador da remodel.pt · Última atualização Outubro de 2026
Desde o Simplex de 2024 (DL 10/2024), a licença de utilização deixou de ser exigida para outorgar a escritura, e a partir de 1 de outubro de 2026 a alteração de utilização passa, na maioria dos casos, por uma mera comunicação prévia à câmara municipal. O documento continua a contar. Prova que o edifício está legalmente aprovado para habitação, e bancos, compradores e registos de alojamento local continuam a pedir prova do uso legal. Quem compra um imóvel com ampliações sem licença, ou com a planta diferente da realidade, herda o problema. A obra é o melhor momento para o resolver, e a remodel.pt envia o seu projeto a três empreiteiros com alvará verificado para que o âmbito do licenciamento fique orçamentado por escrito.
DL 10/2024
retirou a licença dos requisitos da escritura
1 out. 2026
reforma do RJUE em vigor
1951
edifícios anteriores a este ano são em geral tratados como legalmente existentes

Neste guia

  • A escritura deixou de exigir licença de utilização e ficha técnica de habitação após o DL 10/2024
  • Desde 1 de outubro de 2026 a reforma do RJUE trata a maioria das alterações de uso por comunicação prévia
  • Bancos, compradores e registo de AL continuam a pedir prova de que o imóvel está aprovado para o uso
  • Ampliações sem licença e plantas desatualizadas são o principal risco jurídico em imóveis antigos
  • Consulte a caderneta predial e o processo municipal antes de pagar uma obra que dependa do uso

O que é a licença de utilização?


A licença de utilização é o documento da câmara municipal que confirma que o edifício foi concluído de acordo com o projeto aprovado e que serve o uso indicado, por exemplo habitação.

Cada fração tem o seu uso: habitação, comércio, serviços. A licença está ligada ao projeto de arquitetura aprovado, pelo que uma ampliação, uma varanda fechada ou uma garagem convertida sem aprovação pode deixar o edifício em desacordo com o que foi licenciado.

Os edifícios anteriores a 1951 foram, na maior parte dos concelhos, construídos antes de o licenciamento geral se aplicar, e por isso a regra de 1951 pesa nos imóveis antigos. Em geral são tratados como legalmente existentes, mesmo sem licença.

Ainda é preciso licença de utilização para comprar casa?


Não. Com o pacote Simplex de 2024 (DL 10/2024), a licença de utilização e a ficha técnica de habitação deixaram de ser exigidas para celebrar a escritura.

É uma mudança real. Durante anos o notário pedia a licença e a falta do documento podia travar uma venda. Hoje a escritura faz-se sem ela.

O risco jurídico, esse, não desapareceu. Se o edifício não corresponde ao projeto aprovado, quem compra assume as consequências, incluindo coimas e a recusa de obras futuras. Peça o processo ao vendedor ou à câmara antes de assinar.

LeiO DL 10/2024 (Simplex Urbanístico) retirou a licença e a ficha técnica dos requisitos da escritura. Confirme a redação em vigor no Diário da República, porque os municípios aplicam a transição de formas diferentes.

O que mudou com a reforma do RJUE em outubro de 2026?


O DL 108/2026 reformou o RJUE e entrou em vigor a 1 de outubro de 2026, depois de um adiamento. A alteração de utilização passa sobretudo por comunicação prévia.

Com a reforma, a maioria das obras e das mudanças de uso segue a via da comunicação prévia, e a câmara verifica dentro de um prazo, em vez de emitir primeiro uma licença. Os prazos de cada via estão no RJUE e o calendário completo está no nosso guia do processo de licenciamento.

Nos primeiros dias de vigência, alguns municípios ainda estavam a esclarecer detalhes da transição. Use os valores deste guia como referência e confirme a via com a câmara ou com um arquiteto antes de fixar um calendário.

NotaResumos profissionais referem um prazo de 10 dias para a comunicação de utilização. Não o conseguimos confirmar no texto consolidado, por isso valide-o junto da câmara.
Confirme o âmbito do licenciamento antes de orçamentar a obra
A remodel.pt envia o seu projeto a três empreiteiros com alvará verificado, para que o âmbito, o licenciamento e os pagamentos por fases fiquem escritos antes de a obra começar.
Pedir três orçamentos

Quanto custa legalizar uma ampliação sem licença?


Legalizar uma ampliação não aprovada custa, em regra, alguns milhares de euros entre honorários de arquiteto, taxas municipais e uma possível coima, e o valor depende muito da câmara e da dimensão da obra.

Conte com honorários de arquiteto para o levantamento e o projeto de legalização, mais taxas municipais. Há câmaras que cobram mais quando a obra contraria o PDM. Não publicamos um número único porque a variação é grande. Peça primeiro uma proposta escrita a um arquiteto e oriente separadamente o orçamento da obra.

Se a ampliação não puder ser legalizada, a câmara pode ordenar a demolição. É por isso que recomendamos verificar antes de comprar, e não depois.

Perguntas frequentes


Conclusão


A licença de utilização já não é o obstáculo que era, mas não ficou irrelevante. O estado legal do edifício acompanha o imóvel, e uma obra é o momento mais barato para encontrar e corrigir uma divergência.

Consulte o processo municipal, compare a planta com o edifício e exija que o licenciamento esteja escrito em todos os orçamentos antes de assinar.

Vai remodelar um imóvel antigo?
Peça três orçamentos escritos a empreiteiros com alvará verificado, com inspeção independente em cada fase.
Pedir três orçamentos
Kellogg Fairbank
Kellogg Fairbank
Cofundador, Remodel.pt · Cascais, Portugal

Kellogg é antigo executivo na área de pagamentos e agora empreendedor, com histórico familiar em imobiliário. No último ano tem dedicado essa experiência ao mercado imobiliário português, e cofundou a remodel.pt para aplicar esse mesmo rigor à seleção de empreiteiros.

Este guia é informação geral e não constitui aconselhamento jurídico. O regime urbanístico mudou a 1 de outubro de 2026 e os municípios ainda o estão a aplicar. Confirme a via junto da câmara municipal ou de um arquiteto ou advogado.